Reflexões para vida interior
“Para chegares ao que não sabes, hás de ir por onde não sabes.” — São João da Cruz, Subida do Monte Carmelo Sofrimento ou entrega de si mesmo? O primeiro sofrimento daqueles que abandonam o mundo pela solidão do claustro é a saudade das coisas deixadas para trás: a família, os amigos, as diversões, a carreira... Ao entrar no eremitério, tudo parece monstruoso, pesado, difícil de coordenar — tantos sentimentos de uma só vez! É o impacto entre o barulho e o silêncio, entre a vida livre e a regrada, entre a liberdade e a obediência. Esse é o primeiro sofrimento — e, digamos, um dos mais profundos. Santa Teresa de Jesus dizia que “o maior sofrimento da alma principiante é ver-se sozinha, sem ninguém que a compreenda, e sem ainda saber quem é o Amigo que agora a chama”¹. É nesse ponto que se manifesta a tensão entre o humano e o divino, entre a antiga vida e a nova, entre a natureza e a graça. O que antes se chamava liberdade, agora se revela dispersão; o que parecia vida, agora ...
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